Dor Miofascial

 

Conforme definição estabelecida pela IASP (International Association for the Study of Pain), a Síndrome de Dor Crônica Músculo-esquelética divide-se em:

1. Síndrome de Dor Miofascial

2. Síndrome Fibromiálgica (ou Dor Miofascial difusa)

3. Síndrome de Dor e Disfunção têmporo-mandibular

A Síndrome de Dor Miofascial é uma das principais causas de dor crônica, acometendo músculos, tecido conectivo e fáscias. Caracteriza-se pela presença de bandas musculares tensas e dolorosas palpáveis, chamadas de PONTOS DE GATILHO. Estes pontos, quando estimulados pela palpação, desencadeiam dor referida à distância. Eles são causados por uma não adaptação muscular às sobrecargas funcionais do dia-a-dia, podendo produzir alterações motoras, sensoriais e autonômicas.

aulador miofascial

A incidência da Síndrome de Dor Miofascial varia em torno de 54% das mulheres e 45% dos homens. A faixa etária mais comum está entre 27 e 50 anos, ou seja, é uma doença de pessoas jovens e , principalmente, mais prevalente em pessoas sedentárias.

A fisiopatologia da formação dos pontos de gatilho não foi completamente esclarecida. Acredita-se que existam:

1. Alterações centrais: Parece haver uma dismodulação de vias inibitórias de dor, serotoninérgicas e noradrenérgicas. Estas alterações podem estar relacionadas a disfunções do sistema límbico.

2. Alterações periféricas: aumento de rigidez local, dor referida com territórios específicos, hiperalgesia local, alodinia, hiperatividade simpática. Aumento do nível de substância P, cácio, ácido lático, CGRP e citocinas pró-inflamatórias nos pontos de gatilho.

A Eletroneuromiografia mostra atividade elétrica espontânea atribuída ao aumento dos potenciais de placa terminal e maior liberação de acetilcolina.

Alguns fatores desencadeantes estão envolvidos nesta síndrome:

* Tensão emocional, estresse, ansiedade.

* Posicionamento não fisiológico de trabalho e tensão muscular

* Distúrbios do sono

* Abuso de álcool e drogas

* Alimentação pobre em proteínas e carência de vitaminas (vitamina D?)

* Sedentarismo, flacidez muscular

Para o diagnóstico, três critérios são essenciais:

1. Presença de banda tensa muscular

2. Presença de hipersensibilidade dentro da banda tensa

3.Reprodução da dor com estimulação do nódulo

E alguns critérios são adicionais:

* Evocação da reação contrátil à palpação

* “Sinal do pulo”

* Paciente reconhece a dor ao exame

* Padrões de dor referida

* Fraqueza muscular

* Dor ao alongamento

A Termografia tem sido útil no diagnóstico, ao demonstrar os pontos de gatilho como pontos aquecidos, hiper-radiantes, sendo indicada em casos selecionados.

Tratamento:

* Manter hábitos saudáveis : corrigir hábitos de sono, cessar tabagismo, dieta, exercícios físicos aeróbicos pelo menos 3 vezes por semana.

* Terapia física: gelo, calor, bloqueio manual de pontos de gatilho

* Reeducação postural.

* Terapia cognitivo comportamental.

* Terapia com laser, TENS e Ultrassom terapêutico

* Massagem

* Medicações tais como Relaxantes musculares, Neuromoduladores e Antidepressivos tricíclicos ou duais podem ser recomendadas.

Bloqueios do pontos de gatilho poderá ser realizado pelo especialista em dor, com lidocaína ou através de agulhamento seco.

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Este tipo de Bloqueio desfaz a rigidez muscular, liberando cálcio, ácido lático e citocinas pró-inflamatóriasno local, com posterior recuperação das fibras musculares acometidas. Entretanto, para que os pontos de gatilho não voltem a se formar, é necessário que o paciente esteja engajado em uma mudança de seus hábitos, dieta, exercícios físicos aeróbicos, correção postural, entre outros.

Referências

Barros et al. Síndrome musculo-esqueletica de dor cronica. Rev dor, 2014. 10 (3) 15-22

International Association for the Study of Pain, 2011-2012

Travell & Simons’ Myofascial Pain and Dysfunction: The Trigger Point Manual, 1998