Entrevista para o Programa Fisioforma

E no dia 24 de maio, logo após o Dia Nacional de combate à Cefaleia, foi ao ar a entrevista que dei para o Programa Fisioforma , sobre a Migrânea (Enxaqueca). Entre os assuntos abordados, herança genética, fatores desencadeantes, opções de tratamentos e, a importância de hábitos saudáveis, dieta e controle de peso no controle da migrânea. A entrevista completa está no link:  https://youtu.be/IF5cBrbHeOI

12o. Congresso Brasileiro de Dor

 

Aconteceu em Curitiba, entre os dias 30/09/15 e 03/10/15, o 12o. Congresso Brasileiro de Dor. Entre os assuntos mas discutidos, estava a importância dos exercícios físicos para o paciente com dor crônica. Uma Palestra Magna foi apresentada na manhã do dia 02/10/15 pela professora Kathleen Anne Sluka (EUA): “Does exercise increase or decrease pain? Underlying mechanisms and clinical implications.”

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Os dados apresentados foram muito interessantes… quando o paciente com dor crônica, sedentário, começa a realizar uma atividade física, há uma relativa piora de suas dores, por uma resposta ao trauma muscular. Após este período inicial, com a persistência na atividade física, os receptores moduladores de dor, a nível central e periférico, começam a ficar menos sensibilizados gradual e progressivamente… diminuindo a dor crônica!

Isto é o que observamos na prática diária!

E no último dia, a “Caminhada Pare a Dor”, no pátio do Expotrade Center em Curitiba.

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Outra publicação interessante para leitura dos pacientes, foi o livro da Doutora Fabíola Peixoto Minson, “Ufa! Chega de Dor”, com histórias reais de pacientes que venceram a sua dor. Leitura simples e elucidadativa!

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Exercícios físicos e Migrânea (Enxaqueca)

 

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Sabemos que uma abordagem multidimensional no manejo de doenças crônicas, tais como a migrânea, também inclui tratamentos não-farmacólogicos, como a prática de exercícios físicos. Entretanto, um estudo randomizado e controlado, comparando a prática de exercícios físicos ao tratamento medicamentoso, ainda não havia sido publicado. Este estudo abaixo, comparou pacientes com migrânea submetidos a exercícios físicos aeróbicos, por 40 minutos, 3 vezes por semana, com outro grupo submetido a terapia de relaxamento, e um terceiro grupo submetido ao tratamento com Topiramato (medicação muito utilizada no tratamento da migrânea). Houve uma melhora significativa das crises de dor no grupo que utilizou exercícios físicos, discretamente inferior ao grupo que utilizou topiramato. Assim, exercícios físicos regulares são uma opção cientificamente comprovada para o tratamento da migrânea, em pacientes que não desejam utilizar medicações, ou como terapêutica auxiliar naqueles que já utilizam um tratamento profilático. E os benefícios já seriam perceptíveis com  40 minutos de caminhada, 3 vezes por semana.

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15th World Congress on Pain (IASP) – continuação

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Muito interessantes são as publicações atuais da IASP (International Association for the Study of Pain) com relação à Medicina Integrativa e o desenvolvimento de um modelo holístico de tratamento da dor, repetidas vezes abordados neste último congresso. Estes são os temas mais citados neste blog e fazem parte da minha rotina diária de orientação aos pacientes.

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Com relação à alimentação, sabe-se que os alimentos industrializados e ricos em açúcar promovem a liberação de insulina, resultando em um estado de hiperinsulinismo que é pró-inflamatório e promotor de um meio propício ao desenvolvimento de Dor Crônica. Assim, uma alimentação saudável, controlada em açúcares e carboidratos, com menos alimentos industrializados e mais frutas e vegetais, seria benéfica ao tratamento da dor. 

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Por outro lado, os exercícios físicos são importantíssimos aos pacientes que desejam se tratar de uma condição dolorosa crônica. Eles estimulam vias inibitórias de dor e a liberação de neurotransmissores analgésicos, como a endorfina, promovendo a melhora e não reincidência dos estados dolorosos. Embora para alguns pacientes, como os fibromiálgicos, os exercícios físicos pareçam causar mais dor no início da prática, a persistência em realizá-los resulta em excelentes resultados para os pacientes sofredores de dor crônica.

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O controle do estresse, através de medidas como terapia cognitivo-comportamental, meditação, yoga ou acupuntura, também é um aliado importante no tratamento da dor crônica.

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Alguns estudos recentes, baseados em Métodos de Condicionamento Pavloviano (aqueles dos ratinhos de laboratório), revelaram que os pacientes com dor crônica podem ser condicionados a uma resposta positiva. Pacientes foram estimulados com pulsos elétricos e posteriormente com estímulo sensorial gelado (que inibe a dor inicial). Neste momento, um estímulo sonoro era colocado junto com o estímulo frio. Com o passar do tempo, o estímulo frio foi retirado e apenas o estímulo sonoro ativado resultava em uma resposta de controle da dor. Estes estudos vêm nos mostrar que a mente humana pode realmente ter um papel importante de controle na dor crônica, sendo que, medidas de controle mental, como terapia cognitivo-comportamental e meditação, podem ser de grande ajuda no tratamento destes pacientes.

E o próximo Congresso Mundial será no Japão…

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Entrevista com paciente

 

Segue abaixo uma entrevista que realizei com a paciente Gislaine Carina Rogério de Oliveira, que após um longo caminho de recuperação, conseguiu ficar livre de sua migrânea crônica (enxaqueca). A mudança de hábitos de vida, alimentação e prática de exercícios físicos, associada a um tratamento direcionado, foi fundamental para a melhora. Solicitei gentilmente que ela desse este depoimento, para exemplificar para todos os pacientes que, em primeiro lugar, é possível melhorar  sua dor crônica, porém, sua participação ativa no tratamento é fundamental.

1) Há quanto tempo você tem enxaqueca?

Tenho enxaqueca desde os 10 anos e convivi com ela nos últimos 24 anos.

2) Quais os tratamentos que já realizou?

Realizei diversos exames e tratamentos utilizando todo tipo de medicamento, realizei também bloqueios e como ultimo recurso o Botox (Toxina Botulínica).

3) Quais foram os melhores resultados?

Os medicamentos tinham uma pequena melhora mas a dor sempre voltava, com os bloqueios passei até 15 dias sem dor, já com Botox obtive um dos melhores resultados passando a ter dor poucas vezes por mês durante uns 5 meses.

4) Como as alterações de hábitos de vida (dieta, exercício físico) influenciaram sua melhora?

A mudança de hábitos alimentares e inclusão de atividade física diária foi a melhor escolha que eu podia ter feito, obtive uma melhora significativa na dor em poucas semanas, mudei radicalmente meus hábitos e decidi praticar atividade física diariamente, frequentando academia, fazendo caminhadas, andando de bicicleta e fazendo musculação. Comecei uma dieta balanceada eliminando todos os itens que me causam dor como por exemplo frituras, chocolates, refrigerantes etc… Passei a me alimentar de 3 em 3 horas e evitar jejum prolongado, tomar muita água e fazer pelo menos 2 horas de atividades diária. Com isso consegui ter qualidade no sono sem necessitar de medicamento diário para dormir, ter muita disposição. Hoje em dia o único medicamento que uso é o Lyrica e raramente tenho um episódio de dor.

Eu não acreditava que pudesse mais viver sem dor, as pessoas precisam se conscientizar que tudo está relacionado com o que comemos e com o modo em que vivemos, enquanto fui sedentária e consumia alimentos de qualquer natureza sem me preocupar com qualidade, quantidade e horários fiquei com muita dor e cada vez mais indisposta e com sono ruim.

5) Como está agora?

Posso dizer que estou ótima, após 6 meses de mudança de hábitos e atividade física constante, minha vida mudou. Tenho consciência que a mudança deve ser permanente, não adianta fazer um tempo e depois parar. Mas quem vai querer voltar a ter dor? Se posso viver sem dor e ter uma vida 100% saudável, vou mesmo me cuidar.

6) Então, é possível melhorar?

Posso afirmar que é possível melhorar, sou a prova disso, basta ter força de vontade, decidir mudar os hábitos alimentares e praticar atividade física, minha vida esta muito melhor tanto corpo como mente.