15th World Congress on Pain (IASP)

 

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Aconteceu durante esta semana o 15th World Congress on Pain, em Buenos Aires… muitas novidades estão acontecendo. Alguns tópicos foram discutidos na pesquisa básica, relacionados à Genética da Dor e Gênero em Dor (influência do estrogênio em dor crônica no sexo feminino). Quanto à genética, alguns fenótipos de pacientes são mais susceptíveis a apresentar determinados tipos de dor. Testes de estimulação dolorosa, como o CPM (conditioned pain modulation), que aplica dois estímulos dolorosos consecutivos em áreas diferentes, estimulando vias descendentes inibitórias (o segundo estímulo inibe o primeiro), são capazes de detectar os indivíduos pró-nociceptivos e anti-nociceptivos, ou seja, aqueles mais propensos a desenvolver dor e aqueles mais protegidos quanto a isso. Na prática clínica, isto poderia predizer os pacientes mais propensos a desenvolver dor crônica após uma injúria (trauma ou cirurgia) e também orientar os que responderiam melhor a determinados tipos de tratamento, por exemplo, com neuromoduladores.

Com relação ao Gênero e Dor, persiste a ideia de que o estrogênio facilita determinadas vias e receptores de dor, aumentando a predisposição das mulheres com relação aos homens à dor crônica. Inclusive, estudos envolvendo transexuais que utilizam estrogênio, encontraram as mesmas taxas de prevalência de dor que aquelas encontradas em mulheres.

Algumas medicações novas estão sendo lançadas, ainda não disponíveis no Brasil. Entre elas, um adesivo à base de capsaicina em altas doses (veja post anterior), para tratamento de dor neuropática pós herpética e localizada, chamado Qutenza® nos EUA e uma medicação opioide por via oral, que exerce mecanismo analgésico e profilático ao mesmo tempo (anti-NMDA), chamada Tapentadol® nos EUA.

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Genética e Dor Crônica

 

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As síndromes de dor crônica têm alta prevalência na população em geral, em todas as idades. Por que algumas pessoas possuem maior predisposição a desenvolvê-las? Cada vez mais acredita-se que existam causas genéticas para este fato. 

Um estudo publicado recentemente na Pain, a mais importante revista sobre dor no mundo, avaliou 8564 gêmeos com quadro de dor crônica (músculo-esquelética, dor pélvica crônica, enxaqueca e síndrome do intestino irritável) avaliando os fatores genéticos e ambientais subjacentes. A amostra foi predominantemente do sexo feminino (87,3%), com idade média de 54,7 anos. Entre os pares de gêmeos monozigóticos houve maior predominância de dor crônica com relação aos gêmeos dizigóticos, sugerindo um componente hereditário. Estes resultados falam a favor de evidências sobre fatores genéticos compartilhados, resultando em condições favoráveis à manifestação de dor crônica. Ainda não podemos esclarecer o mapeamento destes genes, mas acreditamos que no futuro poderemos chegar lá. Assim, continua a busca pelas variantes genéticas causadoras de síndromes dolorosas crônicas.