15th World Congress on Pain (IASP)

 

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Aconteceu durante esta semana o 15th World Congress on Pain, em Buenos Aires… muitas novidades estão acontecendo. Alguns tópicos foram discutidos na pesquisa básica, relacionados à Genética da Dor e Gênero em Dor (influência do estrogênio em dor crônica no sexo feminino). Quanto à genética, alguns fenótipos de pacientes são mais susceptíveis a apresentar determinados tipos de dor. Testes de estimulação dolorosa, como o CPM (conditioned pain modulation), que aplica dois estímulos dolorosos consecutivos em áreas diferentes, estimulando vias descendentes inibitórias (o segundo estímulo inibe o primeiro), são capazes de detectar os indivíduos pró-nociceptivos e anti-nociceptivos, ou seja, aqueles mais propensos a desenvolver dor e aqueles mais protegidos quanto a isso. Na prática clínica, isto poderia predizer os pacientes mais propensos a desenvolver dor crônica após uma injúria (trauma ou cirurgia) e também orientar os que responderiam melhor a determinados tipos de tratamento, por exemplo, com neuromoduladores.

Com relação ao Gênero e Dor, persiste a ideia de que o estrogênio facilita determinadas vias e receptores de dor, aumentando a predisposição das mulheres com relação aos homens à dor crônica. Inclusive, estudos envolvendo transexuais que utilizam estrogênio, encontraram as mesmas taxas de prevalência de dor que aquelas encontradas em mulheres.

Algumas medicações novas estão sendo lançadas, ainda não disponíveis no Brasil. Entre elas, um adesivo à base de capsaicina em altas doses (veja post anterior), para tratamento de dor neuropática pós herpética e localizada, chamado Qutenza® nos EUA e uma medicação opioide por via oral, que exerce mecanismo analgésico e profilático ao mesmo tempo (anti-NMDA), chamada Tapentadol® nos EUA.

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Capsaicina, a medicação que veio da pimenta!

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A Capsaicina é uma substância derivada das pimentas vermelhas (como pimenta malagueta), responsável pela sensação de ardência desencadeada por este alimento. Do ponto de vista medicinal, é utilizada topicamente, atuando como moduladora da Substância P, uma substância envolvida nos processos de sensibilização periférica na dor crônica. Algumas formulações terapêuticas são vendidas como cremes e, mais atualmente, adesivos de capsaicina em altas doses. Este tipo de adesivo ainda não está disponível no Brasil, mas já é bastante utilizado nos EUA e Europa. Seu uso clínico envolve o tratamento de neuropatias periféricas, como aquela causada por sequela de infecção pelo herpes-zoster ou outras neuropatias localizadas. Para o uso do creme de capsaicina, quando prescrito por um médico habilitado, deve-se aplicar o creme no local recomendado, deixando-se por um período limitado, de 15 minutos até 1 hora, e lavar o local após este uso, evitando-se irritação local prolongada. Sempre lavar as mãos após a manipulação do produto.

Congresso Brasileiro de Dor

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Estivemos na última semana, em São Paulo, no Congresso Brasileiro de Dor. Entre algumas novidades de tratamentos, podemos ressaltar o lançamento de duas medicações tópicas em forma de adesivo (patch). Uma medicação à base de lidocaína, para tratamento de regiões de dor neuropática, e uma segunda constituída por um analgésico opioide (derivado de morfina), para tratamento de dor oncológica refratária. As medicações para uso cutâneo (patch), muito utilizadas fora do Brasil, trazem algumas vantagens de posologia e diminuição de efeitos colaterais, uma vez que não necessitam passagem pelo trato digestivo para serem metabolizadas.

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Um segundo comentário sobre o Congresso: muito interessante a exposição de trabalhos artísticos feitos por pacientes, com apoio do Laboratório Zodiac. Os sentimentos expostos refletem bastante a impressão clínica que temos dos pacientes com dor crônica, a sensação de impotência e desespero que sentem. E a saída envolve exatamente a conscientização de que é possível vencer a dor e sobre as formas de reabilitação deste paciente, as quais envolvem o fortalecimento do auto-cuidado.

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