Os 8 principais erros do paciente no tratamento para dor crônica

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1. Assumir uma postura passiva diante do tratamento. Estratégias de enfrentamento da doença (coping skills) são essenciais para o sucesso. O paciente deve focar nas possibilidades e não nas incapacidades: “ Eu não posso correr, mas posso fazer natação. Eu não consigo fazer aquela viagem, mas posso ir ao cinema…

2. Não ter expectativas realistas sobre os resultados. Um resultado de melhora parcial já é uma vitória. Não se deve esperar uma melhora de 100% para retomar a vida e suas atividades. Os pacientes que continuam exercendo atividade laborativa e social, apesar da dor, têm melhores resultados a longo prazo.

3. Medo de usar medicações. Os prejuízos físicos, emocionais e financeiros que a dor crônica causa são piores que o uso crônico de medicações.

4. Não aguardar o tempo e dose certos para uma medicação fazer efeito. A maioria dos moduladores de dor demora pelo menos um mês para começar a fazer efeito. Por outro lado, as medicações possuem doses-alvo a serem alcançadas. Isto leva algum tempo e ajustes que são personalizados para cada paciente.

5. Desistir de uma medicação por efeitos colaterais iniciais. Os efeitos colaterais iniciais tendem a desaparecer com o uso regular de uma medicação e seus benefícios demoram um tempo de uso para serem percebidos.

6. Não fazer atividade física. Os exercícios físicos inicialmente podem causar desconforto no paciente com dor crônica, mas com o tempo, ajudam a melhorar os sintomas continuamente.

7. Não mudar seus hábitos alimentares. Excesso de açucar, defumados, gorduras, bebidas alcóolicas e cafeína causam um estado “inflamatório crônico” que dificulta a melhora da dor.

8. Não aceitar ajuda psicológica. “Eu não tenho problema emocional, eu tenho dor”. Este é um engano… As vias límbicas, da emoção, estão intimamente ligadas ao controle de dor. Além disso, pacientes com dor crônica desenvolvem mais sintomas ansiosos e depressivos. O paciente que aceita ajuda psicológica, melhora suas estratégias de enfrentamento e tem mais sucesso em seu tratamento.

Oxitocina e modulação da Dor Crônica

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A oxitocina é um neuro-peptídeo sintetizado nos núcleos paraventricular e supra-óptico do hipotálamo e lançada para a circulação através da neuro-hipófise funcionando como um neuromodulador. São encontrados aglomerados de receptores de oxitocina no sistema límbico (amígdala), região relacionada com comportamentos sociais, além de glândulas mamárias e miométrio. Nos seres humanos, este hormônio é produzido na gravidez e durante o trabalho de parto, para estimular as contrações uterinas ou injetado sinteticamente para indução do trabalho de parto. A oxitocina também têm um papel importante na amamentação. A sucção do bebê estimula a liberação deste hormônio, fazendo o leite fluir com mais facilidade e atuando na relação emocional entre mãe e filho. Assim, a oxitocina é chamada de “hormônio do amor” pois está intimamente ligada à sensação de prazer e bem estar.

Em mamíferos não humanos, os receptores de oxitocina então distribuídos por várias regiões cerebrais associadas com o controle nervoso central do stress e ansiedade e, ainda, dos comportamentos sociais (incluindo, cuidados parentais, formação de laços, memória social e agressão a terceiros).

Além disso, estudos recentes têm relacionado a oxitocina ao controle de dor. A hipótese do uso da oxitocina no tratamento de dor crônica baseia-se em mecanismos de diminuição de sensibilização periférica, sensibilização central e estabilização de circuitos emocionais (límbicos).

O interessante é que a observação do efeito da oxitocina veio a partir da observação de mulheres grávidas e após o trabalho de parto e a diminuição de sintomas dolorosos durante a gravidez e no puerpério imediato.

Com efeito prático, algumas pesquisas têm utilizado a oxitocina sintética no tratamento de condições dolorosas crônicas, tais como dores miofasciais, fibromialgia e dor neuropática. Outros hormônios da gravidez, como a Relaxina, também estariam envolvidos no controle de dor crônica.

Referências:

1)Tracy LM, Georgious-Karistianis N, Gibson SJ, et al. Oxytocin and the modulation of pain experience: Implications for chronic pain management . Neuroscience and Biobehavioral Reviews 2015. 55: 53–67

2) Goodin BR, Ness TJ, Robbins MT. Oxytocin – A Multifunctional Analgesic for Chronic Deep Tissue Pain. Curr Pharm Des. 2015. 21 (7): 906–913.

3) Bani D, Yue SK, Biagazzi M. Clinical profile of relaxin, a possible new drug for human use. Curr Drug Saf 2009. 4 (3): 238-49.