Congresso Paulista de Neurologia – Dor da Cicatriz

Entre os dias 24 e 27 de maio aconteceu no Guarujá – SP o XI Congresso Paulista de Neurologia. Entre outros temas importantes, uma tarde foi dedicada ao estudo da Dor. Pude contribuir com a aula “Dor da Cicatriz”. Mas afinal, o que é uma dor da cicatriz? Após uma injúria cutânea, a recuperação do tecido resulta em cicatriz. Frequentemente, estas cicatrizes causam sintomas dolorosos crônicos e de difícil tratamento. Muitas vezes são sub-diagnosticados na avaliação do cirurgião.

O processo normal de cicatrização dura de 2 até 6 semanas envolvendo uma fase inflamatória (citocinas, prostaglandinas), a presença de macrófagos, angiogênese e fibroblastos produzindo tecido cicatricial. Assim, poderá se formar uma cicatriz normotrófica, cicatriz hipertrófica ou, em casos mais graves, os queloides.

Neste processo, ramos terminais de fibras sensitivas do tipo C e A Ω, podem ficar encapsulados, causando dor e sintomas neuropáticos. Os chamados neuromas clássicos constituem áreas de dor em cicatriz, com descargas neuropáticas, dor típica à percussão (sinal de Tinnel) e áreas de hipoestesia/ alodinia adjacentes.

Estudos sugerem que até 40% de pacientes pós-cirúrgicos desenvolvem dor crônica relacionada à cirurgia. Destes, a maioria tem sintomas neuropáticos e dor relacionada à cicatriz.

O diagnóstico deste tipo de dor se baseia no exame físico da cicatriz (palpação, percussão), desencadeando ou reproduzindo o sintoma do paciente. Ultrassonografia pode identificar neuromas maiores como em casos de amputações ou toracotomias

As modalidades de tratamento incluem medicações que atuam em dor neuropática, tais como anticonvulsivantes gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), antidepressivos tricíclicos e duais, opioides (tramadol oxicodona). São descritos também bloqueios anestésicos da cicatriz, ablação de nervos por neurotomia e ablação por radiofrequência.

Referências:

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  5. Ferreira KS, Speciali JG, Dach F. Scar neuromas as triggers for headache after craniotomy: clinical evidence. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 2012. 70: 206-209.

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