Atividade física e Dor crônica


Atividade física e Dor crônica- IASP Factsheet-

A atividade física reduz a intensidade e a incapacidade da dor, além de outros benefícios como força, flexibilidade, resistência, diminuição no risco cardiovascular, melhora da cognição, humor e dor crônica. Plano: exercício individualizado, agradável e relacionado aos objetivos do paciente. Fornecer supervisão de acordo com as necessidades específicas para melhorar a adesão à atividade física. Recomendação da OMS:
 Crianças e jovens de 5 a 17 anos: Pelo menos 60 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa diariamente.
Adultos de 18 a 64 anos:
Pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada ao longo da semana ou fazer pelo menos 75 minutos de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa ao longo da semana ou uma combinação equivalente de exercícios de intensidade moderada e vigorosa. A atividade aeróbica deve ser realizada em sessões de pelo menos 10 minutos. Atividades de fortalecimento muscular devem ser realizadas envolvendo os principais grupos musculares em 2 ou mais dias da semana.
Adultos com 65 anos ou mais: avaliação cardiológica e planejamento após.
Leia também em breve “Pollock – Fisiologia Clínica do Exercício- nova edição 2020” revisão que escrevi junto com Dr José Geraldo Speciali sobre Exercício físico e Cefaleia, citando vários estudos científicos com bom nível de evidência sobre os benefícios nas cefaleias, mesmo para caminhada regular. 🏃‍♀️ 🏃‍♀️🏃‍♀️#viversemdor #drakarenferreira #chronicpain #iasp

Nutrição e Dor


Tips for Nutrition and Pain Management: dicas para nutrição e dor crônica segundo IASP Factsheet 2020. 1) Reduzir a inflamação e efeito oxidativo usando polifenóis presentes em frutas e vegetais. Dica prática: usar frutas e vegetais congelados para evitar várias idas ao supermercado. Frutas vermelhas são ótima opção. Incluir vegetais e frutas em metade dos pratos e usar tomates e lentilhas em massas e molhos.
2) Incluir gorduras de qualidade como Omega 3 e azeite de oliva que reduzem a inflamação e melhoram o sistema imune. Dicas: peixes como salmão e sardinha, nozes, usar azeite de oliva extra virgem em saladas e para cozinhar. Evidências sugerem que suplemento de Ômega 3 pode reduzir a dor da artrite reumatoide.
3) Prevenir déficit de vitaminas e minerais: principalmente vitamina D, B12 e magnésio. Dica: carne, peixe e laticínios são boas fontes de vitamina B12, peixes e ovos de vitamina D e vegetais de folhas verdes e cereais integrais são ricos em magnésio. A vitamina D também pode ser obtida a partir da exposição ao sol (10 a 15 minutos de sol por dia).
4) Ingestão de água: A desidratação pode aumentar a sensibilidade à dor. Dica: Objetivo 2-3 litros / dia incorporando entre refeições e usar alimentos com maior teor de água, sopas, frutas e iogurtes. Encha uma garrafa de água todos os dias e leve consigo. 5) Aumentar as fibras: importante para a digestão e manutenção adequada da flora intestinal e peso. Um adulto precisa em média de 25 g por dia. Dica: pães integrais (2 fatias = 6g), cereais matinais (3/4 xícara = 4,5g), psyllium (1 colher de sopa = 2g), legumes mistos (1 / 2 xícaras = 4g), frutas com a pele (1 maçã = 2g).
6) Reduzir e limitar a ingestão de alimentos e açúcares ultraprocessados: muitas calorias, baixo índice de nutrientes e aumento de inflamação. Dica: Troque refrigerantes por água mineral e escolha opções saudáveis ​ ​​de lanches, como frutas, palitos de legumes ou iogurte com gordura reduzida. Em vez de comprar os alimentos, tente cozinhar em casa com mais frequência.
Iasp-pain.org.

#viversemdor #iasp #painprevention


 

Prevenção da Dor

A IASP definiu o tema de trabalho para o ano de 2020 que será “Prevenção da Dor”. Muito pertinente falar sobre prevenção, quando 1 em cada 5 pessoas no mundo apresentam algum tipo de dor crônica. E é claro que evitar que a dor apareça é sempre mais fácil e menos custoso que tratar uma dor e reabilitar um paciente. Os princípios básicos da prevenção incluem a Prevenção primária, ou seja, antes da dor existir (alimentação saudável, controle do peso, exercícios físicos regulares, sono adequado, manejo do estresse e emocional) e também a Prevenção secundária, ou seja, quando a dor já existe mas queremos evitar que ela se cronifique (e isto inclui tratamento medicamentoso, reabilitação física, suporte psicológico e todos os outros tópicos citados). Alguns artigos sobre as recomendações mais atuais nos subtopicos da prevenção foram publicados este ano… vou tentar resumir nos próximos posts porque estão muito interessantes… Veja iasp-pain.org #painprevention #chronicpain #viversemdor #iasp2020

Entrevista para o Programa Fisioforma

E no dia 24 de maio, logo após o Dia Nacional de combate à Cefaleia, foi ao ar a entrevista que dei para o Programa Fisioforma , sobre a Migrânea (Enxaqueca). Entre os assuntos abordados, herança genética, fatores desencadeantes, opções de tratamentos e, a importância de hábitos saudáveis, dieta e controle de peso no controle da migrânea. A entrevista completa está no link:  https://youtu.be/IF5cBrbHeOI

Congresso Paulista de Neurologia – Dor da Cicatriz

Entre os dias 24 e 27 de maio aconteceu no Guarujá – SP o XI Congresso Paulista de Neurologia. Entre outros temas importantes, uma tarde foi dedicada ao estudo da Dor. Pude contribuir com a aula “Dor da Cicatriz”. Mas afinal, o que é uma dor da cicatriz? Após uma injúria cutânea, a recuperação do tecido resulta em cicatriz. Frequentemente, estas cicatrizes causam sintomas dolorosos crônicos e de difícil tratamento. Muitas vezes são sub-diagnosticados na avaliação do cirurgião.

O processo normal de cicatrização dura de 2 até 6 semanas envolvendo uma fase inflamatória (citocinas, prostaglandinas), a presença de macrófagos, angiogênese e fibroblastos produzindo tecido cicatricial. Assim, poderá se formar uma cicatriz normotrófica, cicatriz hipertrófica ou, em casos mais graves, os queloides.

Neste processo, ramos terminais de fibras sensitivas do tipo C e A Ω, podem ficar encapsulados, causando dor e sintomas neuropáticos. Os chamados neuromas clássicos constituem áreas de dor em cicatriz, com descargas neuropáticas, dor típica à percussão (sinal de Tinnel) e áreas de hipoestesia/ alodinia adjacentes.

Estudos sugerem que até 40% de pacientes pós-cirúrgicos desenvolvem dor crônica relacionada à cirurgia. Destes, a maioria tem sintomas neuropáticos e dor relacionada à cicatriz.

O diagnóstico deste tipo de dor se baseia no exame físico da cicatriz (palpação, percussão), desencadeando ou reproduzindo o sintoma do paciente. Ultrassonografia pode identificar neuromas maiores como em casos de amputações ou toracotomias

As modalidades de tratamento incluem medicações que atuam em dor neuropática, tais como anticonvulsivantes gabapentinoides (gabapentina, pregabalina), antidepressivos tricíclicos e duais, opioides (tramadol oxicodona). São descritos também bloqueios anestésicos da cicatriz, ablação de nervos por neurotomia e ablação por radiofrequência.

Referências:

  1. Bijlard E, Uiterwaal L, Kouwenberg CAE, et al. A systematic review on the prevalence , etiology, and pathophysiology of intrinsic pain in dermal scar tissue. Pain Physician 2017. 20: 1-13.

  2. Schug SA, Pogatzki-zahn EM. Chronic pain after surgery or injury . Pain clinical updates, 2011. 19 (1): 1-2

  3. Brown BC, McKenna SP, Siddhi K, McGrouther DA, Bayat A. The hidden cost of skin scars: Quality of life after skin scarring. Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery, 2008. 61:1049-1058. 2.

  4. Curtin C, Carrol I. Cutaneous neuroma physiology and its relationship to chronic pain. J Hand Surg, 2009. 34:1334-1336.

  5. Ferreira KS, Speciali JG, Dach F. Scar neuromas as triggers for headache after craniotomy: clinical evidence. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, 2012. 70: 206-209.

19 de maio – Dia Nacional de combate à Cefaleia

 

Atualizando os posts…

O dia 19 de maio foi o Dia Nacional de combate à Cefaleia. Esta foi uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Cefaleia para divulgar o tema e orientar aos pacientes que procurem um neurologista para tratamento. Com o slogan “3 é demais”, foi divulgado que os pacientes que apresentem mais que 3 crises de dor no mês devem ser avalados por um neurologista.

Na nossa Liga da Dor, em Ribeirão Preto- SP, comemoramos o dia com os alunos.

Dia Mundial da Doença de Parkinson

 

 

O dia 11 de abril é o dia Mundial da Doença de Parkinson… Há 200 anos o inglês James Parkinson publicou o primeiro artigo científico que descrevia a doença. Com sintomas incapacitantes, tais como tremor, lentificação e rigidez, a doença tem sido extensamente estudada. Um dos estudos mais recentes, que envolve o uso do antibiótico doxiciclina no tratamento da doença, foi desenvolvido por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto. Dor crônica é um sintoma frequente. Segundo estudo publicado no Pain em 2009 por Beiske e colaboradores, 70% dos doentes têm dor osteomuscular, 40% dor distônica, 20% dor neuropática radicular e 10% dor neuropática central. Uma minoria de pacientes era adequadamente tratada para os sintomas dolorosos.

 

 

Dor crônica pós-cirúrgica

 

O ano de 2017 foi escolhido pela IASP para ser dedicado ao estudo da Dor pós-cirúrgica. A Dor pós-cirúrgica é um modelo ideal para se estudar os aspectos da dor aguda e sua transformação em dor crônica, uma vez que sabemos de antemão todos os fatores envolvidos em sua cronificação, e também analisar os aspectos de neuroplasticidade desenvolvido pelos pacientes que desenvolvem este tipo de dor.  A maioria dos pacientes que se submetem a uma cirurgia sem intercorrências vai se recuperar e retomar suas atividades diárias normais dentro de algumas semanas. No entanto, a dor pós-cirúrgica crônica se desenvolve em uma alarmante proporção de doentes.

A informação sensorial gerada durante a fase de lesão aguda é muito importante para o desenvolvimento posterior de dor crônica. Ao contrário de outras lesões, o ato cirúrgico apresenta um conjunto de circunstâncias em que o momento da ocorrência da lesão e da dor física subsequente são conhecidos antecipadamente. Isso fornece uma oportunidade, antes da cirurgia, de identificar os fatores de risco e fatores de proteção que predizem o curso da recuperação e prevenir a transformação em dor crônica. Algumas condições, tais como tipo de cirurgia (mastectomia, amputação, toracotomia), extensão da cirurgia (cirurgia aberta ou por vídeo), fatores psicossociais (tais como transtorno de ansiedade e transtorno depressivo) e fatores genéticos parecem conferir um maior risco de desenvolver dor crônica pós-cirúrgica. 

Dor neuropática iatrogênica é provavelmente a causa mais comum de dor pós-operatória a longo prazo. O papel dos fatores genéticos devem ser estudados, uma vez que apenas uma proporção de doentes com lesão nervosa, desenvolverá dor crônica. A genética da dor baseia-se em polimorfismos de genes humanos associados à dor crônica, rastreados a partir de estudos genéticos em modelos de roedores. Parece haver relação entre o gene acoplado à proteína G de canais de potássio (GIRK) KCNJ6 com a capacidade de determinar o grau de analgesia experimentada após a ativação de receptor opioide por opioides endógenos e exógenos. 

Dor aguda pós-operatória é seguida por dor crônica persistente em 10-50% dos indivíduos após cirurgias, tais como a reparação de hérnias, cirurgia torácica, amputações, cirurgia de revascularização miocárdica. Visto que os pacientes com aguda pós-operatória têm mais chance de desenvolver dor crônica persistente, além de desconforto e pior recuperação cirúrgica, a dor pós-operatória persistente representa um problema, em grande parte não reconhecido. 

Além disso, o efeito da terapia analgésica agressiva precoce para a dor pós-operatória deve ser abordado, uma vez que a intensidade da dor aguda pós-operatória está correlacionada com o risco de desenvolver um estado de dor persistente.

Katz J, Seltzer Z. Transition from acute to chronic postsurgical pain: risk factors and protective factors. Expert Rev Neurother. 2009; 9 (5): 723-44.

Althaus A, Arránz Becker O, Neugebauer E. Distinguishing between pain intensity and pain resolution: Using acute post-surgical pain trajectories to predict chronic post-surgical pain. Eur J Pain. 2013. doi: 10.1002/j.1532-2149.2013.00385.x.

Bruehl S, Denton JS, Lonergan D, et al. Associations Between KCNJ6 (GIRK2) Gene Polymorphisms and Pain-Related Phenotypes. Pain. 2013 Aug 27. doi: 10.1016/j.pain.2013.08.026.

Kehlet H, Jensen TS, Woolf CJ. Persistent postsurgical pain: risk factors and prevention. Lancet. 2006; 13; 367 (9522): 1618-25.